terça-feira, 28 de julho de 2009

EaD - Desafios e ...redefinição de fronteiras

A demanda pela Educação fez da modalidade a Distância a mais urgente maneira de se acompanhar o mundo e suas mudanças aceleradas com menor disponibilidade de tempo e espaços formais. São diversos os estudos e experiências presentes que propoem educação para além de espaços fechados.
O processo mediado pela Internet tem sido fenômeno espantoso, nos mais diferentes níveis de ensino, representa a democratização do saber, a valorização da informação rápida e o acesso a novas tecnologias de informação.
Muitos são os desafios, o primeiro e talvez o mais "assustador" e ao mesmo tempo o mais empolgante, seja a manipulação de ferramentas tecnológicas síncronas e assíncronas. Mas nada se compara com a sensação de liberdade de descobrir e de se enveredar para diferentes horizontes do conhecimento. A Internet é a reponsável pela simulação de espaço, liberdade e de descoberta. O estudante-usuário interage com elementos conhecidos e desconhecidos, com linguagens e códigos instituídos pela informática. Quase tudo muito novo!
Pierre Lévy (1999) , ao falar da Internet considera-a "fluida, virtual, ao mesmo tempo reunida e dispersa, essa biblioteca de babel não pode ser queimada (...) As águas deste dilúvio não apagarão os signos gravados: são inundações de signos". É ela (a magnífica Internet) a ferramenta de maior potencial na Educação a Distância, porque "encurta" territórios, "aproxima" pessoas, é a multivoz dos estudantes que hoje a têm como aliada na construção de conhecimentos e na produção de mudanças à Educação.
Até o professor é outro, novas práticas de docência vêm se desenhando em Sistemas de EAD, as propostas metodológicas são mais amplas em todos os contextos dos ambientes de aprendizagem. Ah! A avaliação também é outra, parece ser mais pontual!
Alguém pode dizer: mas a EaD não leva em conta os aspectos afetivo-emocionais. Ledo engano! Naturalmente que não há o toque físico, mas há a palavra. Esta é veiculada carregada de sentimento. A aprendizagem se dá pela palavra dita (escrita), em cada toque do teclado há uma preocupação com o outro que está numa outra tela. É a comunicação não só afetiva, mas respeitosa, acadêmica e ao mesmo tempo responsável, porque pública.
Ainda que este tipo de aprendizagem seja mediada pelo virtual e esteja fortemente associado ao tecnológico, não é desprovido de humanização. Seria impossível ensinar eficazmente on line, sem as manifestações afetivas, que se dão pelas palavras, como dito acima, que são compreendidas na sua essência.
É na verdade a EaD um conjunto de ações, desafiadoras sim, mas que se efetivam num cenário que mobilizam fronteiras, são novas maneiras de ensinar e aprender e, como enfatiza Pierre Lévy, (1996, p. 150), as pessoas daqui e de toda parte tornam-se desterritorializados, passam a pensar reunidas e dispersas entre o hipercórtex das nações, estão capturadas, esquartejadas, nesse imenso acontecimento do mundo, que não cessa de voltar a si e de recriar-se. Estão jogadas vivas no virtual, são pegas nesse enorme salto em direção à nascente do fluxo do ser, sim, no núcleo mesmo desse estranho turbilhão, estão em sua casa.
Com a licença desse eminente filósofo, tomo as palavras por ele proferidas e convido a todos: "Bem-vindos à nova morada do gênero humano. Bem-vindos aos caminhos do virtual"!
Enísia

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